30 de setembro de 2013

O que é o Mindfulness? #3

Quando somos crianças sentimos mais com o corpo. Há até estudos que indicam que se os adultos experienciassem as emoções com a mesma intensidade que uma criança, não aguentariam. Como as crianças não têm capacidade para processar as emoções intelectualmente, elas nunca são compreendidas na sua totalidade, mas fortemente sentidas. Num adulto, experienciar essas emoções com a capacidade de as processar mentalmente seria muito violento. Não é por acaso que grande parte dos traumas acontecem quando somos crianças.
Quando crescemos aprendemos a usar mais a cabeça que o corpo, e deixamos de estar atentos e saber ouvi-lo. 
Como corpo e mente andam de mãos dadas, o mindfulness/meditação trabalha a mente colocando-a em sintonia com o corpo.

Dores físicas ou ate mesmo ataques de pânico,  apesar de serem penosos e desagradáveis, têm como objectivo ajudar-nos. É um aviso do corpo para nos mostrar que já não aguenta mais, que está cansado, que a forma como o temos tratado o está a debilitar. 
Pessoas com emoções fortes reprimidas, têm tendência a ficarem mais doentes e com dores físicas sem explicação aparente. 
Tomar consciência dessas dores, através da meditação ajuda a libertar essas emoções. São como nós que se desatam. Libertando emoções e aliviando sintomas indesejados como dores.

Quando temos uma dor o nosso impulso é querer ignorá-la. Distraímo-nos com outras coisas para não nos forcarmos na dor. Depois, quando a dor já nos massacrou tanto, sentimo-nos irritados. Essa irritação só nos prejudica, aumentando a tensão no corpo e a dor. 
Na meditação a ideia é focarmo-nos na dor até onde nos for possível. Observá-la. 
(Obviamente que nao me refiro a dores demasiado fortes, em que é necessário o uso de medicação urgente, como antibióticos por exemplo. Haja bom senso!!)
Em vez de ignorar ou frustrar-se com essa dor, a meditação incentiva a que olhemos para ela com atenção  curiosidade e bondade. Fazendo a distinção do que é a dor real física - aceitando-a - e aquela que é gerada pela tensão que criamos em volta. Aliviando assim a dor num todo.

Nas ultimas semanas, tenho tido muitas oportunidades (infelizmente), de testar este exercício a propósito das dores. Posso dizer que resulta e que sinto alivio quando estou mais aflita. 
Sempre que a frustração vem eu penso em revertê-la, olhando para a situação e observando-a com bontade e compaixão pelo meu corpo.

Afinal, ao contrário que eu julgava ao inicio, meditar muito fácil e realmente vantajoso.



Sem comentários:

Enviar um comentário